A Amazon.com, Inc. acaba de dar um golpe estratégico no mercado de internet por satélite: no dia 29 de novembro de 2025, lançou oficialmente seu serviço Leo, prometendo velocidades de até 1 Gigabit por segundo — mais que o dobro do que o Starlink oferece hoje. O serviço, voltado inicialmente para empresas, governos e forças armadas, não é só uma nova opção de conexão. É uma ameaça direta ao domínio de SpaceX no setor. E o mais intrigante? A Amazon não está tentando copiar o Starlink. Ela está construindo algo diferente: uma rede integrada ao AWS que pode transformar como empresas globais enxergam conectividade.
Um projeto que começou em 2018 e finalmente decolou
A história do Project Kuiper começou em 2018, quando Jeff Bezos, ainda CEO da Amazon, decidiu que a internet global não podia depender apenas de cabos submarinos e torres de celular. A ideia era simples, mas ambiciosa: colocar milhares de satélites em órbita baixa para levar banda larga a qualquer ponto do planeta. Em julho de 2020, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) deu o sinal verde — 3.236 satélites autorizados. Os primeiros protótipos foram lançados em 2023. Mas foi só em julho de 2025, com o primeiro lançamento contratado com a SpaceX, que a operação começou a ganhar forma. "Tinha a ver com seus parceiros de lançamento", admitiu Andy Jassy, CEO da Amazon, durante a reunião de resultados do terceiro trimestre de 2025. O atraso? Normal. Lançar foguetes é difícil. Mas agora, com mais de 100 satélites em órbita a 630 km de altitude, a Amazon tem o que precisa para começar.Leo Ultra: a antena que quebrou a barreira dos 1 Gbps
O cerne da revolução está na Rajeev Badyal, diretor do Project Kuiper na AWS. Em um vídeo no LinkedIn, publicado em 10 de setembro de 2025, ele mostrou um teste de velocidade real: 1.289 Mbps de download, medidos com o Ookla. "É a primeira antena comercial de matriz em fase que oferece mais de 1 Gbps a partir da órbita baixa", afirmou. A tecnologia por trás disso? Antenas Ka-band, operando entre 26,5 e 40 GHz, com design robusto para aplicações críticas — navios, aeronaves, bases remotas. O Leo Ultra não só entrega download de até 1 Gbps, mas também upload de 400 Mbps. Simétrico. Isso é essencial para empresas que fazem videoconferências em 4K, transferem grandes volumes de dados ou operam sensores em tempo real. O Starlink, por enquanto, limita-se a 400 Mbps no plano padrão e 250 Mbps no Mini. A diferença não é pequena. É um salto de qualidade.Por que a AWS faz toda a diferença
Aqui está o segredo que o Starlink não tem: integração com a nuvem. Enquanto o serviço da SpaceX conecta você à internet pública, o Leo pode direcionar o tráfego diretamente para os servidores do AWS. Sem passar por roteadores públicos. Sem latência extra. Sem riscos de interceptação. Para governos, bancos, empresas de logística e até hospitais remotos, isso é ouro. "É como ter um túnel privado para a nuvem", explicou um analista da consultoria Gartner em entrevista ao tek.sapo.pt em 29 de novembro. A Amazon não vende apenas conexão. Ela vende segurança, confiabilidade e desempenho em um único pacote. E isso, para o mercado corporativo, vale muito mais do que um preço baixo.Starlink não está parado — mas está reagindo
Claro, o Starlink não é um adversário qualquer. Com mais de 8.000 satélites em órbita e entre 6 e 8 milhões de assinantes em todo o mundo, é o gigante do setor. Mas está em modo de defesa. Segundo relatos da Olhar Digital de 10 de setembro de 2025, a SpaceX planeja lançar uma versão de 1 Gbps em 2026 — mas só em áreas selecionadas e com "preços premium". Ou seja: nicho, caro, limitado. A Amazon, por outro lado, quer escalar rápido. Seu foco inicial é o B2B. E isso é inteligente. Empresas pagam mais. E não trocam de provedor por um centavo. Enquanto o Starlink luta para manter sua base de consumidores, a Amazon constrói um novo mercado: o da conectividade confiável para missões críticas.
Os riscos: quando o teste vira realidade
Mas atenção: o que funcionou em laboratório pode não funcionar na vida real. Os 1.289 Mbps medidos por Badyal foram em condições controladas — um único terminal, poucos usuários. O que acontece quando milhares de empresas em todo o mundo começarem a usar o Leo simultaneamente? "Há risco de congestão", alertou a Olhar Digital. A órbita baixa tem limites físicos. Satélites compartilham faixas de frequência. Se a demanda crescer rápido demais, a velocidade pode cair. A Amazon promete que sua rede é escalável — mas ainda não há dados reais de desempenho sob carga. Isso será o teste de fogo nos próximos 12 meses.O que vem a seguir
O serviço Leo começa em fase experimental com clientes corporativos selecionados ainda em 2025. A expansão para mais empresas e, eventualmente, para consumidores, está prevista para 2026. A meta da Amazon? Ter metade de seus 3.236 satélites no ar até o fim do próximo ano. Enquanto isso, a SpaceX promete mais lançamentos — mas sem a vantagem da nuvem. A guerra das órbitas acabou de começar. E a Amazon não está jogando para ganhar clientes. Está jogando para redefinir o que é internet global.Frequently Asked Questions
Como o Leo da Amazon difere do Starlink em termos de desempenho?
Enquanto o Starlink oferece até 400 Mbps de download no plano padrão, o Leo Ultra da Amazon promete até 1 Gbps de download e 400 Mbps de upload — com testes reais chegando a 1.289 Mbps. Além disso, o Leo é simétrico, o que significa que o upload é tão rápido quanto o download, algo crucial para empresas que enviam grandes volumes de dados. O Starlink ainda não oferece upload tão rápido em seus planos atuais.
Por que a integração com a AWS é tão importante?
O Leo não conecta apenas à internet pública. Ele permite que dados sejam enviados diretamente para servidores da AWS, sem passar por roteadores externos. Isso reduz latência, aumenta segurança e evita gargalos da rede pública. Para instituições financeiras, governos e empresas de logística, isso significa desempenho mais estável e proteção contra ataques cibernéticos — algo que o Starlink, por ser uma conexão aberta, não garante.
Quando o serviço Leo estará disponível para o público geral?
A Amazon planeja iniciar a fase comercial em 2026, mas inicialmente apenas para empresas, governos e setores estratégicos. A expansão para consumidores domésticos ainda não tem data definida e dependerá da capacidade da rede e da demanda. O foco é claro: conquistar o mercado corporativo primeiro, onde os lucros são maiores e a fidelidade é mais alta.
Quantos satélites a Amazon já tem em órbita e quantos planeja lançar?
Em novembro de 2025, a Amazon tinha mais de 100 satélites em órbita a 630 km de altitude. O plano completo é de 3.236 satélites. A meta é ter metade da constelação operacional até o final de 2026. Os lançamentos estão sendo feitos por meio de parcerias com a SpaceX, que já realizou o primeiro lançamento em julho de 2025.
O Starlink vai conseguir manter sua liderança?
O Starlink ainda lidera em número de satélites e assinantes, mas sua vantagem está sendo desafiada pela inovação da Amazon. Enquanto o Starlink foca em escalar para consumidores, a Amazon ataca o mercado corporativo com soluções integradas. Se a Amazon conseguir entregar desempenho real sob alta demanda, poderá capturar uma fatia significativa do mercado de alta segurança e alta performance — onde o preço é menos importante que a confiabilidade.
Quais são os principais riscos para o sucesso do Leo?
O maior risco é a congestão da rede. Testes de laboratório mostram velocidades impressionantes, mas quando milhares de terminais estiverem conectados simultaneamente, a latência e a velocidade podem cair. Além disso, a Amazon ainda não tem experiência operacional em larga escala com internet por satélite. Se os primeiros clientes enfrentarem instabilidade, a confiança no serviço pode ser abalada rapidamente.
Roseli Pires
novembro 29, 2025 AT 05:43Leo tá com 1 Gbps? Cê tá brincando? Ainda não vi ninguém usando isso na vida real, só vídeos de laboratório. Quando chegar no Norte do Brasil e não cair toda hora, aí eu acredito.
Até lá, Starlink pelo menos funciona.
Davi Peixoto
novembro 30, 2025 AT 08:48A integração com a AWS é o diferencial real. Não se trata apenas de velocidade, mas de arquitetura. A redução de latência e o tráfego privado entre o terminal e os servidores da nuvem eliminam pontos de falha críticos para operações de missão. Isso não é marketing, é engenharia de infraestrutura em escala global.