PEC que Visa Proibir Aborto Legal no Brasil Avança na CCJ com Aprovação Controversa

Postado por Luciana Macedo
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nov
PEC que Visa Proibir Aborto Legal no Brasil Avança na CCJ com Aprovação Controversa

A última quarta-feira foi marcada por uma polêmica decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados do Brasil, que aprovou, com 35 votos a favor e 15 contra, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa proibir o aborto legal no país. Essa decisão trouxe à tona um debate que já perdura há anos no Brasil, uma vez que o aborto é uma questão delicada e envolve não apenas aspectos legais, mas também sociais, éticos e de saúde pública.

A origem da proposta e o que ela defende

A PEC, que carrega as assinaturas de antigos deputados como Eduardo Cunha e João Campos, data de 2012. Agora, com a nova composição da Câmara, o texto ganhou fôlego ao propor uma mudança crucial no artigo 5º da Constituição, visando garantir a inviolabilidade do direito à vida desde a concepção. Caso seja aprovada em todas as instâncias, a emenda irá modificar drasticamente as condições atuais que permitem o aborto no Brasil. Atualmente, a lei brasileira permite a interrupção da gravidez em casos de risco à vida da mulher, estupro e anencefalia.

O cenário político: polarização e protestos

A aprovação da PEC na CCJ ocorreu em meio a um tumultuado cenário de protestos dentro e fora do plenário. Manifestantes ocuparam as dependências do CCJ, entoando palavras de ordem contrárias à emenda, tais como "Criança não é mãe, estuprador não é pai". A sessão teve que ser remanejada para um outro local da Câmara devido à intensidade do protesto, por decisão da presidente da CCJ, deputada Caroline de Toni.

Discursos a favor e contra a PEC

Mesmo dentro da CCJ, o debate mostrou-se acirrado. A deputada Dani Cunha, filha de um dos proponentes, destacou em seu discurso que o aborto equivale a "assassinato de um bebê inocente", levando a discussão para um viés de defesa da vida. Para ela, não se trata de uma questão religiosa, mas sim de respeito à vida e adesão a tratados internacionais de direitos humanos.

Do outro lado, a deputada Sâmia Bonfim (PSOL) elevou o tom ao criticar a PEC por impor às mulheres e meninas a continuidade de gestações perigosas ou indesejadas, não só ameaçando sua saúde, mas criminalizando-as por decisões sobre seus próprios corpos. Para ela, a proposta desconsidera a complexidade social e médica de tais situações.

Próximos passos da PEC

Agora, a PEC segue para ser analisada por uma comissão especial, que contará com até 40 sessões para proferir um parecer. Posteriormente, o texto precisará passar por dois turnos de votação no plenário da Câmara dos Deputados, onde será necessário obter ao menos 308 votos favoráveis em cada um dos turnos para avançar.

Divisões partidárias e críticas à proposta

A votação na CCJ expôs rupturas dentro dos partidos políticos. Enquanto siglas como o PL, União Brasil, Republicanos e Podemos votaram em massa a favor da PEC, representantes do PSD, MDB e PRD mostraram discordâncias internas. Já o PSOL e o deputado Waldemar Oliveira (Avante) foram firmemente contrários à iniciativa.

Críticos da proposta, como o deputado Bacelar (PV) e a deputada Lídice da Mata (PSB), destacaram que a medida ignora o impacto do processo gestacional na vida das mulheres, colocando o embrião ou feto acima dos direitos e dignidade da mulher. Eles argumentam que a PEC contraria princípios constitucionais de dignidade humana, igualdade e direitos fundamentais.

Implicações sociais e jurídicas

A potencial aprovação dessa PEC pode acarretar profundas mudanças sociais e legais no Brasil. Com o ambiente político ainda mais polarizado, este tema promete suscitar debates não apenas no campo político, mas também no seio da sociedade civil. Grupos pró-escolha e pró-vida intensificam suas campanhas, cada qual buscando influenciar a opinião pública e os parlamentares.

Além disso, a discussão sobre o aborto no Brasil não se restringe aos limites do Congresso Nacional; ela toca em questões de saúde pública, desigualdade social e liberdade individual. Mulheres de diferentes regiões e contextos sociais, especialmente as mais pobres, são as que mais sofrem com a falta de políticas de saúde reprodutiva que respeitem sua autonomia.

A relevância dos direitos humanos

Nesse sentido, o debate sobre o aborto legal transcende o escopo da PEC. Ele solicita um exame cuidadoso dos tratados e convenções internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário. Ao promoverem o direito à vida desde a concepção, algumas reformas constitucionais podem potencialmente entrar em conflito com o direito das mulheres à saúde, segurança e dignidade.

Deste modo, essas transformações no ordenamento jurídico brasileiro exigem uma grande ponderação sobre a interpretação dos direitos fundamentais, que seram cruciais para o fortalecimento da democracia e salvaguarda dos direitos de todos os cidadãos.

Há, portanto, um imenso caminho a ser percorrido antes que qualquer alteração se consolide no texto constitucional. O Brasil, próspero em diversidade cultural e social, continua sendo um campo fértil para debates que moldam seu futuro institucional e humanitário. Este capítulo sobre aborto legal promete ser um dos mais desafiadores de nossa história recente, com consequências que ultrapassam gerações e dialogam com o mundo sobre a essência dos direitos humanos.

19 Comentários

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    Lucas Yanik

    novembro 30, 2024 AT 05:44
    Eles vão proibir tudo depois. Vacina? Pode ser arma biológica. Educação sexual? Lavagem cerebral. O que vem depois? Você acha que isso acaba aqui?
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    Rodrigo Fachiani

    dezembro 1, 2024 AT 05:46
    Essa PEC é o ápice da decadência moral da nossa sociedade... uma tentativa desesperada de impor uma visão medieval sobre corpos que não lhes pertencem... e ainda querem que a gente agradeça por isso.
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    Regina Queiroz

    dezembro 2, 2024 AT 20:18
    Ah sim, porque nada diz "liberdade" como forçar uma mulher a carregar um bebê fruto de estupro... tá tudo muito lógico.
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    Wanderson Rodrigues Nunes

    dezembro 4, 2024 AT 09:51
    Na África do Sul, aborto legal é direito constitucional desde 1996. Na Argentina, aprovado em 2020. O Brasil tá atrasado não só na economia, mas na dignidade humana. Não é só lei, é civilização.
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    Valdir Costa

    dezembro 5, 2024 AT 11:38
    Essa PEC é só mais um truque pra manter as mulheres na linha... quem tá no poder não quer saber de mulher com autonomia... eles querem controle... e isso aqui é só o começo...
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    Paulo Fernando Ortega Boschi Filho

    dezembro 7, 2024 AT 09:17
    A vida... a vida... a vida... mas e a saúde? E a dignidade? E a realidade? Será que esses que gritam "vida" já tiveram que escolher entre morrer ou ter um filho de estupro? Ou só falam disso de poltrona?
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    Victor Costa

    dezembro 8, 2024 AT 07:57
    A proposta é constitucionalmente inconstitucional, pois viola o princípio da proporcionalidade, a dignidade da pessoa humana e o direito à saúde, conforme entendimento consolidado pelo STF e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. A argumentação moralista não substitui o direito.
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    jeferson martines

    dezembro 10, 2024 AT 02:35
    Interessante como os mesmos que falam "vida desde a concepção" não se importam com crianças que morrem de fome, sem saneamento, sem escola... só querem controlar o útero das mulheres. Hipocrisia pura.
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    Tereza Kottková

    dezembro 10, 2024 AT 13:26
    A PEC 2012/2015, conforme análise jurídica do IBCCRIM, representa uma clara violação ao Pacto de São José da Costa Rica, art. 11, que garante o direito à saúde reprodutiva como direito humano. A soberania nacional não anula obrigações internacionais.
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    Paulo Ferreira

    dezembro 10, 2024 AT 15:49
    Eles vão te pegar depois... primeiro aborto... depois contraceptivo... depois gay... depois tudo... você acha que isso é só sobre bebês? Não... é sobre controle... e você vai ser o próximo...
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    Avaline Fernandes

    dezembro 11, 2024 AT 02:41
    Você sabia que 80% das gestações resultantes de estupro não são denunciadas? E que o sistema de saúde público não tem estrutura para atender o aumento de partos? Isso não é proteção, é negligência institucional.
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    Alexsandro da Silveira

    dezembro 11, 2024 AT 07:09
    Claro, proibir aborto é a solução... enquanto o Brasil não tem creches, nem auxílio, nem educação, nem segurança... mas vamos colocar toda a carga nas costas das mulheres... ótimo plano.
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    Mirian Aparecida Nascimento Bird

    dezembro 13, 2024 AT 05:26
    Eu sei que é difícil, mas vamos tentar ouvir todos os lados com empatia. Mulheres precisam de apoio, não de julgamento. Se a gente construir redes de cuidado, talvez a gente não precise de tanta dor.
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    Edna Kovacs

    dezembro 14, 2024 AT 03:14
    Aborto legal não é luxo é sobrevivência. Quem fala contra nunca teve que escolher entre morrer ou continuar grávida de quem te estuprou.
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    Joseph Horton

    dezembro 15, 2024 AT 20:18
    Direito à vida não é só sobre o embrião. É sobre a mulher que vive. É sobre quem tem acesso à saúde. É sobre dignidade. Não podemos escolher só um lado.
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    paulo victor Oliveira

    dezembro 17, 2024 AT 12:47
    Pense no Brasil que queremos... um país onde mulheres não são punidas por serem violadas... onde a vida não é uma arma contra a liberdade... onde a fé não substitui a ciência... e onde a política não usa o corpo das mulheres como campo de batalha... isso é o que está em jogo.
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    Uriel Castellanos

    dezembro 17, 2024 AT 22:56
    Vamos fazer algo bom por essas mulheres 💪❤️ Cuidar é mais importante que julgar. Apoio a saúde reprodutiva e o direito de escolha. Ninguém merece sofrer por falta de opção.
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    Thays Castro

    dezembro 19, 2024 AT 07:16
    ⚠️ ALERTA JURÍDICO: A PEC 2012/2015 viola o art. 5º, inciso I, da CF/88 (direito à vida) e o art. 7º da Convenção de Belém do Pará (direito à vida livre de violência). A contradição é flagrante.
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    Pra QUE

    dezembro 19, 2024 AT 20:50
    Se a gente investisse em educação, saúde e renda, talvez não precisássemos de tantos abortos. A solução é prevenção, não punição.

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